Exhibitions / Festivals 2022:
《VARIOUS POSITIONS》
Banco das Artes Gallery, Leiria, Portugal
12 Feb - 1 May 2022
Collective exhibition with Luís Almeida, Luís Silveirinha, and Rodrigo Canhão.
Installation 《Day and Night》
"Day and Night" is an installation featured in the "Various Positions" exhibition at BAG. It consists of two parts: the "Day" part at the end of the exhibition on the second floor, and the "Night" part in the room at the end of the corridor.
The "Day" section consists of three transparent fabrics and many collages and objects wrapped in plastic hanging from them: Chinese spaghetti wrappers, car sales and real estate advertisements, supermarket catalogs, half-torn photographs found on the street, paintings and photos of my daughter, attraction tickets, mail documents, monthly diaries, medical receipts, pill boxes and bottles...
Without logic and reason, nor order and priority, just like people and events that we encounter one after the other during the day. They haunt our heads.
As we walk through the twists and turns similar to the shape of a conscious "Day" brain, we arrive at an unconscious red night that induces us into a trance. There are 16 drawings here on the wall, which are the stories of my night dreams.
I started writing down my drawings when I was young. As for drawing them, it only happened later, a time when I regularly dreamed about important people, with intense feelings, to the point that sometimes I had the impression that it was reality. This made me want to draw them.
The "Day" part is full of all kinds of information; it is evidence of small fragments of my life. These "evidences" are the product of consciousness, but they are piled up; the "Night" part is the opposite, although they are the product of the "unconscious", they are complete and uniform stories that have been summarized and retold by consciousness.
《O QUE ME QUERO DIZER》
Tinta Nos Nervos Gallery, Lisbon, Portugal
29 Jan - 20 Fev 2022
Solo exhibition
Run Jiang começou a desenhar sonhos em 2012. Os seus sonhos. Um registo sistemático, feito em continuo e que se desenvolve a par dos outros projectos a que se dedica. Mais do que a atração pela bizarria dos enredos do inconsciente move-a, um impulso identitário de revelação do mundo interior, do exercício da memória, da capacidade de cristalizar dessa quase possível realidade alternativa pequenos segmentos em que a história individual também se constrói.
Na presente exposição que reúne uma vintena de trabalhos, o título escolhido -
O que me quero dizer - reforça essa vontade da artista de levar a cabo uma pesquisa pessoal que dá voz a si própria nesse processo de autoconhecimento. Realiza cerca de dez imagens por ano e procura ser o mais fiel possível aos elementos de que se recorda ao acordar. Por vezes, simula a postura do dormir fazendo desse gesto performativo íntimo a espoleta de recuperação dos salvados da noite.
As cenas trazem à tona personagens que lhe são familiares: o marido, os pais, os avós, os amigos e colegas, o gato. E a par deles, Run Jiang representa-se também, nesse diálogo de estar fora e dentro do sonho em simultâneo. Porque esta é a sua perspetiva.
Mas mais do que dos personagens, recorda-se das acções, de momentos muito precisos - como na imagem da mão ferida por um pionés - ou situações em curso - quando noutra uma rapariga que se levanta e caminha até à porta. Aqui a ideia desse tempo fluido transmite-se multiplicando a figura em posições diferentes, concentrando-se a narrativa numa só imagem.
Desenha com lápis de carvão e sempre com o mesmo tipo de papel. Recentemente trocou o traço expressivo do riscador utilizado sem auxiliar pela certitude do risco amparado pela régua. E o papel escolhido passou também a ser mais denso.
O carácter miniatural, quase pueril, com que representa a figura humana, articula-se com a marcação constante de um espaço arquitectónico visto como esboço. É fundamental para situar os eventos, mesmo que por vezes dentro e fora se confundam. Como nos sonhos.
Desenha o que se lembra, como se lembra. Por vezes surgem lugares que lhe são familiares: a casa dos pais, a sua casa, a universidade. Outras, sítios anónimos que se formalizam com a estranheza do que a memória o cristaliza. Numa dessas imagens, dominada pelo traçado de uma estrutura vazada, apresenta-se o que parece ser um jogo entre homens e mulheres, enformado por um dispositivo de paredes e mesas onde se podem ver ovos e espermatozoides. E o público assiste. "Junto-me às pessoas para ver o espectáculo. Os homens dançam virados para espermatozoides, e as mulheres têm à frente ovos de galinha".
O que para o espectador serão sempre histórias com as quais se pode ou não identificar, para a artista são lembranças reais dos sonhos que teve e reproduz, ancorando o desenho numa breve escrita que a auxilia a relembrar o sonho cativo. E em títulos numéricos que indexam a memória ria e a imagem no filão de uma cronologia.
*Text by Ana Ruivo